Archive for the ‘CRÓNICAS & CRENÇAS’ Category

CADÊ O PORTÃO?

Thursday, March 11th, 2010

Urgel Souza

Seria cômico, se não fosse trágico. O portão da casa foi roubado na madrugada desta quinta-feira. Em uma de suas músicas mais conhecidas, Roberto Carlos disse: “Eu cheguei em frente ao portão. Meu cachorro me sorriu latindo.” Pois é. Se ele me visitasse hoje, encontraria só o cão - e latindo de raiva. Ladrões arrancaram a estrutura de metal de cerca de um metro quadrado. Com a audácia, os manganões não levaram só a porta de entrada da minha residência, localizada no fim da rua Dom Feliciano. Levaram muito mais. Como outras vítimas, tive minha segurança seriamente subtraída.

Há muito tempo, os moradores do bairro Lava-Pés e arredores não podem estar tranquilos nem mesmo dentro de suas residências. Correm boatos de que é cobrado pedágio durante as noites e madrugadas dessa região. Passar por lá torna-se perigoso e morar também. O roubo do portão é um exemplo disso. Um portão como aquele custa em torno de duzentos reais. Tenho condições de repor, mas não é o preço dele que importa (ao menos o preço de mercado, não). O que realmente interessa é a causa e a consequencia do roubo. Provavelmente foi trocado por uma ou duas pedras de crack logo abaixo da minha casa. E o pior: Não está livre de levarem o próximo portão que vai ser reinstalado ou mesmo de invadirem qualquer outra residência, inclusive a minha.

Ladrões sempre existiram e sempre vão existir. Mas o crack potencializa radicalmente esse problema. Isso afeta a saúde pública, segurança e convivência dos moradores de Encruzilhada do Sul. Já foram criados ONG’s, realizados seminários, manifestos públicos… Mas só se vê o consumo da droga aumentar junto com a sensação de impotência. Se um dia as autoridades tomassem uma atitude em relação a isso, talvez pudesse cantarolar a música do Rei Roberto ao chegar em casa dizendo que “… tudo está igual como era antes. Quase nada se modificou. Acho que só eu mesmo mudei.”

O QUE HÁ POR TRÁS DAS MULHERES

Monday, March 8th, 2010

Urgel Souza

Diz o ditado popular que, “por trás de um grande homem, tem sempre uma grande mulher”. Se isso for realmente verdade, deve ter alguma coisa por trás das mulheres. Elas foram as escolhidas para carregar alguns quilos a mais durante nove meses, mas duvido  que alguma delas reclame disso; uma vez por mês, vêem o corpo entrar em metamorfose  hormonal e não se importam; algumas sofrem pela discriminação, mas nunca deixam de  lutar. Tem aquelas que dividem a tarefa de mãe com as funções domésticas e profissionais.  E aquelas que são mães e pais. Ao mesmo tempo!

 

Em sua maioria as mulheres passam por mais dificuldades do que se imagina. Como diria o compositor Erasmo Carlos, a mulher, na verdade, não é o sexo frágil. “Isso é uma mentira absurda.” Quem faz parte da rotina de uma delas, sabe que a força está com elas. Com todas as adiversidades, mulher é ego, mulher é estilo, mulher é status. Mulher se veste bem! Pros homens? Nada disso! As mulheres se vestem, se pintam, se enfeitam para as próprias mulheres. Sabe por quê? Porque os homens não têm a sensibilidade de reparar naquele corte de cabelo, na roupa nova, nem mesmo entender por que aquele sapato é tão caro.

 

O homem busca entender tudo isso. Tenta. Mas são naturezas diferentes: Eles com a razão, elas com a emoção. Mas pra compensar toda essa falta de sensibilidade, foi criado, há 100 anos, o Dia Internacional da Mulher. No Dia 8 de março de 1857, operárias americanas fizeram greve por melhores condições de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. Aproximadamente 130 tecelãs morreram carbonizadas, num ato totalmente desumano. No ano de 1910, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o 8 de março passaria a ser o “Dia Internacional da Mulher”, em homenagem àquelas mulheres que morreram na fábrica, em 1857.

 

Ao ser criada esta data, o esforço é para tentar diminuir e, quem sabe um dia terminar, com  o preconceito e a desvalorização da mulher. Expor um pouco do Universo Feminino. Descobrir o que está por trás de cada mulher. Os homens não entendem de TMP, nem de moda, nem das dificuldades e desejos delas. Definitivamente não entendem. E nem poderiam entender. Esta é a arma secreta das mulheres. Este mistério é que desperta a atração e a admiração do sexo oposto. Por trás de cada mulher tem sempre um fã: um filho, um pai, um tio, um avô, um primo, um marido ou um amigo. Quem ama uma mulher por metade, ama sua espécie por metade.

 

PARABÉNS, MULHER! ESTE DIA MOSTRA TUA FORÇA!

 

A FÁBULA DOS ANTICORPOS

Sunday, August 2nd, 2009

 Urgel Souza

O Comandante chega ao Sargento e pede que envie soldados a uma missão.
-  Anticorpo-Sargento.
- Sim Senhor, Anticorpo-Capitão!
- Nosso Anticorpo-Espião nos avisou que um inimigo invadiu a boca. Envie tropas  para esta missão imediatamente.
- Sim Senhor, Capitão. Agora mesmo estarei reculutando os soldados!

A tropa de soldados chega à boca, fronte de batalha. Os soldados constatam que  os inimigos são bactérias que ocuparam os arredores do dente ciso. Porém, a  quantidade do tropas inimigas assusta. O sargento volta e avisa:
- São muitos, comandante! Precisamos de mais homens!
- Ok, sargento. Pedirei que a medula óssea nos envie mais leucócitos. Enquanto  isso, peça para a tropa que recue. Não dá pra combater com tão poucos soldados.

Em seguida chegam novos combatentes e recomeça a batalha contra a infecção  do dente ciso. A luta é árdua. O gânglio perto do lóbulo da orelha incha e acende a  luz vermelha de alerta. Foram vários mortos e feridos. Mas, em alguns dias, a batalha  foi vencida. O inimigo foi expulso. A gengiva e o dente ciso estão seguros. Agora  começa a contabilidade da guerra.

- Comandante! Essa missão dizimou nossos homens. Ficamos muito vulneráveis  para outras missões - alerta o sargento.
- Positivo, sargento -  responde o comandante - Já pedi mais homens para a medula  óssea, mas parece que está difícil a produção.

Enquanto o sargento e o comandante debatem sobre os números da última  batalha, entra no Quartel General o Anticorpo-Espião, encarregado de informações  de novos inimigos. Apavorado e ofegante:

- Comandante, Comandante… Recebi notícias de que um novo inimigo ronda o  corpo. É parecido com a gripe que estamos acostumados a combater todos os  invernos, mas esse é diferente…
- Calma! Sente-se e explique isso direito, Anticorpo-Espião.
- Comandante, outros corpos já morreram com esta nova gripe. Parece que foi  uma mutação com o vírus da gripe suína. O nosso corpo a chama de “Influenza A-  H1N1″. Teremos de estar preparados para este inimigo, comandante!
- Positivo, soldado! Já pedi mais homens, mas ainda não obtive resposta.  Precisamos de outro plano. Anticorpo-Sargento… mande uma mensagem urgente  ao cérebro para pedir munição de vitamina A e C. Urgente, Sargento!
- Sim Senhor, Comandante!

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MORAL DA HISTÓRIA

Esta é uma obra de ficção, mas baseada na  realidade do organismo humano. Nossos anticorpos, por exemplo, não falam. Mas  estão em guerra permanentemente contra outros microorganismos intrusos. Os  leucócitos, ou glóbulos brancos, são produzidos na medula óssea. Estas células  comportam-se, de certo modo, como amebas. Com seus movimentos são  capazes de absorver outras células e bactérias. Geralmente um indivíduo produz  aproximadamente 100 milhões de leucócitos por dia. A ingestão de vitamina A  (presentes em alimentos amarelos, como o milho) e a vitamina C (presentes em  frutas ácidas, como a laranja) ajudam a produzir soldados para nos defenderem  de qualquer “inimigo”. Uma alimentação saudável e balanceada nos ajuda na  prevenção de doenças como a nova gripe.

Crónicas & Crenças - A PRIMEIRA FUMACINHA

Monday, April 20th, 2009

Urgel Souza

Nos invernos da infância, me divertia com o vapor que saía da boca, formado pela diferença entre a temperatura corpórea e a ambiental. Mesmo não gostando do frio, brincava com a fumacinha. Imitava adultos fumando, me fingia de Super-Homem (com seus superpoderes de congelamento através do bafo), embaçava o espelho pra depois desenhar nele… e por aí vai. Cada início da temporada de frio, me lembro daquela época.

Hoje, com os 9 graus às 7h da manhã, saiu a primeira fumacinha do ano. Ao por o fucinho pra fora, o frio foi impactante. Respirei fundo aquele oxigênio gelado, soltei o ar carregado de gás carbônico e a surpresa: o bafo condensado embaçou até a visão. Nesse momento, me recordei com saudades das nostalgias de guri, do Super-Homem, do espelho… A fumacinha se formou e logo se dissipou. Dá vontade de fazer de novo. Repira fundo e…. fuuuu!! Se forma e se dissipa instantaneamente. Como se as lembranças se transformassem em ar condensado e se desintegrasse em menos de um segundo.

Aquela fumacinha não volta mais. Continuo não gostando do frio. Definitivamente, o inverno não me agrada. Tem quem goste, mas eu não! Mas, o que realmente me agrada é lembrar daquele tempo. Se o frio não é tão bom assim para alguns, o legal, entre outras coisas, são as lembranças que ele me traz.