A DIGNIDADE DO MACACO
Wednesday, May 19th, 2010Na noite de segunda (17) faleceu uma das figuras mais conhecidas de Encruzilhada do Sul: O “Macaco das Trouxas”, como era chamado, morreu de hemorragia digestiva
Às 6h 30min da manhã começava a jornada de trabalho do Macaco. Apesar de aposentado, todos os dias, seu Gilberto de Borba colocava o saco na garupa, apanhava sua vassoura e saía cedo rumo ao centro da cidade para limpar ruas e calçadas em frente a estabelecimentos comerciais de Encruzilhada do Sul. A dificuldade de comunicação não impedia que seus serviços fossem oferecidos diariamente.
- Ele vinha aqui de manhã e “perguntava” se tinha alguma coisa pra hoje. Daí ele varria a frente da loja. Ele sempre foi bem querido por aqui. Esses dias tiramos até uma foto com ele -, conta Ruan Carvalho, 19 anos, ex-funcionário de uma loja da Rua Coronel Honório Carvalho.
O “Macaco das Trouxas”, como era conhecido na cidade, pouco falava. Mas a maioria dos comerciantes e moradores sabia exatamente o que ele queria dizer (e fazer) quando ficava estático em frente à porta com um saco nas costas e uma vassoura na mão. Um simples resmungo era suficiente para que fosse feita a saudação e um pedido de autorização da varredura em troca de qualquer coisa. Moedas e trocados eram bem vindos ao fim do serviço, mas logo são dados às crianças assim que chegava em sua casa, no final da Rua 4 de Dezembro. Roupas e mantimentos eram formas de pagamento mais frequentes.
- Se a gente dava uma moedinha, ele ficava satisfeito; se agente dava vinte reais, ele também ficava satisfeito. Ele limpava a cidade por um valor insignificante para nós - afirma Almedorino Azambuja, 67 anos, ex-proprietário de um mercado na Rua 15 de novembro.
Alguns tinham receio de lhe autorizar a trabalhar em frente do estabelecimento por condenar a mendigagem. Outros tinham medo de seu semblante velho e maltrapilho. Crianças zombavam-lhe constantemente gritando: “pula, Macaco, que eu te dou uma banana”. No início, o apelido era recebido com raiva, mas a experiência lhe ensinou que o ódio não é a melhor saída. Ultimamente já não se importa com a alcunha que já virou pseudônimo.
Por volta das 11h e 30min, o Macaco encerrava seu expediente. Voltava à casa onde tinha um cômodo nos fundos com fogão à lenha. Ele mesmo preparava sua própria comida, utilizando muitos de seus prêmios conquistados ao longo de manhãs de trabalho. Depois do almoço, o mate-doce amenizava o amargo da vida. Seu Gilberto, de 64 anos foi abandonado pelos pais aos cinco dias de idade. Quem o criou, com muita dificuldade foi Elza Borba, de 76 anos, sua irmã mais velha. Segundo ela, a rejeição se deu porque os pais de Gilberto o acharam muito feio. Aos 3 anos passou por uma meningite, o que influiu na estética e na saúde mental. Problemas financeiros atrapalharam ainda mais a vida de Gilberto e sua família.
- Muitas vezes, a gente passava fome! Não tínhamos o que comer - revela Dona Elza.
Como se isso não fosse suficiente, há cerca de quatro anos, o Macaco foi seriamente violentado física e sexualmente. A família não registrou queixa. Só ficou sabendo do ocorrido quando notou mudanças no comportamento de seu Gilberto.
- Ele ficou mais quieto do que de costume. A gente teve que “apertar” ele para que nos contasse. Daí que ele foi contando o que aconteceu - disse Michele Borba, sobrinha de seu Gilberto.
Tudo isso, não impediu que o Macaco ajudasse sua “mãe caquinha” (como ele chama a irmã que o criou) nas atividades domésticas, como lavagem de louças e roupas, seleção de lenha e até mesmo amparo de sobrinhos.
Há alguns meses, seu Gilberto não era visto mais no centro da cidade. A dificuldade de enxergar prejudicava as excursões e seu trabalho. Às 23h e 20min do dia 17, chegou ao fim a missão do Macaco. Ele morreu em função de uma hemorragia digestiva. Talvez toda essa dificuldade que teve na vida, deu a seu Gilberto a autonomia de viver ao seu modo; de se vestir ao seu modo; de comer ao seu modo. A dura vida lhe ensinou a seguir em frente, não a não aceitar as dificuldades, sejam elas financeiras ou físicas. O tempo lhe calejou não só as mãos, mas também forjou seu bom caráter e sua incansável dignidade. Macaco, de 67 anos, foi sepultado às 15h, no Cemitério Municipal de Encruzilhada do Sul.
Como tudo começou…
Seu Gilberto começou a trabalhar muito cedo. Dificuldades financeiras da família não lhe dera outra alternativa. Desde menino carregava quantidades enormes de vassoura do mato, retiradas de várias localidades da periferia de Encruzilhada do Sul, para vendê-las em residências. O Macaco chegava a percorrer 3 quilômetros em busca da vassoura de melhor qualidade.
Era essa característica que lhe garantia a venda. Selecionava e as colhia com cuidado. O carregamento chegava a deixá-lo quase sumido dentre os galhos e as pequenas folhas do vegetal. Aos gritos de “pula, Macaco que eu te dou uma banana”, Gilberto adentrava o centro da cidade. Parava em frente as casas, retirava o fardo das costas e o dividia em quantidades suficientes para fabricar uma vassoura caseira. Os compradores prendiam a aquisição num cabo (de vassoura comum) com um lata de extrato de tomate. A eficiente ferramenta ainda é muito usada na varredura de pátios, ruas e calçadas.
Assim exercia seu trabalho todos os dias, religiosamente. Mas o corte da vassoura foi proibido por alguns proprietários e seu Gilberto foi abandonando esse trabalho. Com o passar dos anos, a idade não lhe permitia percorrer longos caminhos e carregar tanto peso. Mas ainda conseguia algumas poucas vassouras do mato para varrer ruas e calçadas, além de juntar objetos, que, de alguma forma, lhe eram útil.
Junto com Fernando e David, mais de 20 mil pessoas também estiveram no Parque Condor para ouvir clásicas como Sad but True, Nothing Else Matters e a nova The Day Never Comes. Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, no início de janeiro, o guitarrista Kirk Hammett adiantou: “Nunca tocamos o mesmo set duas vezes. Mudamos de noite para noite”.
O show, que abriu a tour World Magnetic no Brasil, começou por volta das 21h50min de forma explosiva com a clássica Creeping Death. A banda Metalica foi formada nos anos 80 e é composta pelo vocalista e guitarrista James Hetfield, Lars Ulrich (bateria), Kirk Hammett (guitarra) e Robert Trujillo (baixo).
pai e lembra que o teatro foi escola e casa. As dificuldades eram inevitáveis: “Tinha praças que dava pra comprar dois, três carros. Outras, que a gente não tinha nem o que comer”, emociona-se.